Brasil registra mais de 1,8 milhão de acidentes de trabalho: o que os dados revelam e o que as empresas precisam fazer
- DBS Partner

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Levantamento da ANAMT aponta 222 mil ocorrências só nos cinco primeiros meses de 2026 e reforça a urgência de uma cultura de prevenção nos ambientes de trabalho

O Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Somente nos cinco primeiros meses de 2026, foram contabilizados 222.139 casos — um número que evidencia que os acidentes laborais seguem sendo um problema estrutural no país.
Os dados foram divulgados na semana do Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado em 27 de julho, e colocam em pauta a necessidade urgente de ampliar medidas de prevenção e fortalecer políticas de saúde e segurança nos ambientes de trabalho.
Por que os números cresceram: a mudança nas regras de notificação
Parte do aumento nas notificações está relacionada à Portaria nº 217/2023, do Ministério da Saúde, que tornou obrigatória a notificação de todos os acidentes de trabalho atendidos por serviços de saúde. Antes da norma, apenas acidentes graves, fatais e aqueles envolvendo crianças e adolescentes eram de notificação compulsória.
Com a ampliação da regra, os registros passaram a retratar de forma mais abrangente a realidade dos acidentes laborais no país. Ainda assim, especialistas alertam que pode haver subnotificação — especialmente em atividades marcadas pela informalidade — o que indica que o número real de ocorrências pode ser ainda maior.
Quem são os mais afetados
O levantamento mostra que 74,7% dos acidentes registrados envolveram trabalhadores do sexo masculino. A faixa etária entre 20 e 49 anos concentra a maior parte das ocorrências, refletindo a predominância desse grupo na população economicamente ativa e sua maior exposição a atividades com riscos físicos — como construção civil, indústria, transporte e operações em campo.
Os dados reforçam a necessidade de ações preventivas direcionadas aos segmentos mais vulneráveis e de campanhas permanentes de conscientização sobre segurança no trabalho.
Onde os acidentes se concentram
A distribuição regional das ocorrências acompanha a concentração da atividade econômica e do emprego formal no país. As regiões Sudeste e Sul respondem por 72,6% das notificações, com São Paulo liderando o ranking estadual. Especialistas ressaltam, porém, que esses números também refletem diferenças na capacidade de registro entre estados e municípios — e que as regiões com menor cobertura dos sistemas de notificação podem registrar menos sem necessariamente ter menos acidentes.
Os impactos para as empresas
Além das consequências diretas à saúde dos trabalhadores, os acidentes de trabalho geram afastamentos, perda de produtividade, pagamento de benefícios previdenciários e necessidade de substituição temporária da mão de obra — tudo isso com impacto direto nos custos operacionais e na rotina do departamento pessoal.
Em muitos casos, a empresa ainda precisa lidar com a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), abertura de processos trabalhistas e eventual fiscalização das condições do ambiente de trabalho. A ausência de registros ou a gestão inadequada dessas situações pode gerar passivos significativos.
O que as empresas precisam fazer agora
Especialistas são unânimes: a redução dos acidentes depende de uma cultura de prevenção consolidada, com envolvimento de toda a organização. As principais medidas recomendadas incluem:
Identificação e gerenciamento contínuo dos riscos ocupacionais, conforme as Normas Regulamentadoras (NRs)
Treinamentos periódicos para colaboradores sobre segurança no trabalho
Fornecimento e fiscalização do uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)
Manutenção preventiva de máquinas e equipamentos
Adequação dos ambientes de trabalho às exigências legais
Emissão correta e oportuna da CAT em todos os casos de acidente
Conclusão
Os dados revelam que os acidentes de trabalho no Brasil não são eventos isolados — são um desafio sistêmico que exige comprometimento real das empresas com a segurança e a saúde de seus colaboradores. Além da responsabilidade legal, investir em prevenção é também uma decisão econômica: os custos de um acidente bem gerenciado são sempre menores do que os passivos gerados pela negligência.
Para as equipes de RH e departamento pessoal, manter os registros trabalhistas em dia, acompanhar as obrigações legais relacionadas a afastamentos e garantir conformidade com as NRs são tarefas críticas — e que exigem atenção especializada.
A DBS Partner oferece suporte completo em folha de pagamento e departamento pessoal, garantindo que sua empresa esteja sempre em conformidade com as obrigações trabalhistas, incluindo o gerenciamento adequado de afastamentos e acidentes de trabalho. Fale com a nossa equipe e descubra como podemos apoiar o seu negócio.
Fonte: Contábeis / Agência Brasil



Comentários