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Como calcular o custo de um funcionário para a empresa?

Os custos das empresas são bem maiores do que o salário que o funcionário recebe e variam de acordo com o regime tributário em que estão enquadradas.


É um grande engano pensar que o custo de um funcionário se resume ao salário que ele recebe. As empresas têm inúmeros custos e gastos que encarecem a folha de pagamento de um negócio.


A classificação do regime tributário, por exemplo, interfere diretamente nos custos para a contratação do funcionário e sua manutenção. Identifique o seu modelo de negócio e entenda como calcular.


Regime Tributário: Simples Nacional


O Regime da Simples Nacional é o mais utilizado entre as micro e pequenas empresas devido ao fato de centralizar, em uma única guia de pagamentos, todos os tributos e impostos que a organização deve repassar para o município, Estado e Governo Federal.


Com alíquotas mais brandas do que aquelas cobradas de grandes empresas, o Simples Nacional não paga encargos referentes ao INSS patronal, salário educação, seguro acidente do trabalho (SAT) e contribuições ao SENAI, SESI, SEBRAE ou Incra.


Contudo, mesmo que enquadrada no Simples Nacional, (exceto anexo IV), o custo de um funcionário é maior do que o salário recebido por ele. Supondo que ele tenha um salário base de R$ 1000,00, é preciso somar também:

  • 8% de FGTS - R$ 80,00;

  • Férias - R$ 1.000,00 (valor anual);

  • 1/3 sobre férias - R$ 333,33 (valor anual)

  • 13º salário - R$1. 000,00 (valor anual);

  • 8% de FGTS do valor anual - R$ 186,67;

  • Provisão Mensal (Férias + 1/3 sobre férias + 13º + 8% de FGTS anual) /12 - R$ 210,00.

Para as empresas do Simples Nacional anexo IV, deve-se incluir também o INSS, que é pago a parte. A CPP (Contribuição Previdenciária Patronal) deve ser recolhida em separado.


Regime Tributário: Lucro Real ou Lucro Presumido


Para calcular o custo de um funcionário que atue dentro deste regimento é preciso seguir todas as etapas já descritas anteriormente e acrescentar a alíquota de terceiros (Incra, SENAI, SESI ou SEBRAE), o INSS patronal e outros encargos não existentes para as pequenas empresas.


Uma empresa tributada pelo Lucro Real ou Presumido, paga como encargos trabalhistas, sobre o valor do salário:


  • 20% de INSS (contribuição patronal);

  • 8% de FGTS;

  • de 1% a 3% de seguro de acidente de trabalho;

  • 2,5% de salário educação;

  • 20% corresponderiam ao descanso semanal remunerado (considerando 4 domingos e 4 sábados com meio período de trabalho por mês - semana de 44 horas);

  • 8,33% corresponderiam ao 13º salário;

  • 3,3% iriam para o "Sistema S" (Sebrae, Sesi, Sesc, etc.);

  • 11,11% correspondente às férias, levando em conta um salário por ano mais 1/3 de abono quando de seu usufruto.


Comparação entre os regimes


Ou seja, comparando os regimes de tributação, temos os seguintes valores:


Salário: R$ 1.000,00

Simples Nacional (anexos I, II e III)R$ 1.502,00

Simples Nacional (anexo IV): R$ 1.642,00

Lucro Presumido ou Lucro Real: R$ 1.700,00

Outros custos que podem encarecer a folha


Considerando apenas os encargos sociais, o custo de um empregado supera aproximadamente 70% o valor do salário assinado em carteira, claro, que com pequenas variações que dependem do segmento do seu empregador. Os encargos previdenciários básicos encarecem a folha de pagamento, podendo chegar até 35,8% do total.


Já as férias, 13º salário, auxílio-doença, licença-maternidade e outros encargos e seus reflexos, também precisam ser provisionados pelo empregador.


Vale lembrar que não foram incluídos benefícios como vale refeição, vale alimentação, cesta básica e vale transporte, já que podem variar de acordo com cada município e sindicato.


Além disso, é preciso lembrar que casos específicos como hora extra, adicional noturno, insalubridade e periculosidade também devem ser incluídos conforme a atividade que a empresa exercer.


Há empresas que ainda optam por fazer um fundo em caso de demissão. Atualmente, é preciso pagar uma multa rescisória de 40% do FGTS e 10% do governo, totalizando 50%.


De acordo com Camila Cruz, sócia do escritório Mascaro e Nascimento Advogados, a carga tributária no Brasil é considerada alta em relação a outros países, o que acaba por onerar as empresas já que não existe uma contrapartida, o que fomenta muitas vezes a informalidade e a precarização do trabalho.


“A composição salarial vai além do salário líquido recebido pelo empregado. A parcela salarial não é somente a verba fixa a ser paga pelo empregador, no caso o salário base, a composição do salário é feita por comissões, gratificações habituais, benefícios, gratificação de natal, adicionais e prêmios”, explica a advogada trabalhista.

Segundo Camila, fazer uma boa gestão da folha de pagamento e seus encargos é essencial para a saúde financeira das empresas.


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Fonte: Portal Contábeis


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