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Líderes são ótimos para dar feedbacks, mas péssimos para ouvi-los


liderança não sabe ouvir

Um dos principais eventos de Recursos Humanos da América Latina, o CONARH (realizado em agosto/23) foi, mais uma vez, um grande sucesso. Segundo a organização do evento, a 49ª edição do congresso levou ao São Paulo Expo cerca de 36 mil visitantes durante os três dias do evento da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), que contou com dezenas de stands e palestras nacionais e internacionais.


O público pôde ter acesso a conteúdos qualificados, reflexões, aprendizados e networking, embasados por temas, discussões e demandas atuais do mercado de trabalho: Educação, Saúde Mental, Diversidade & Inclusão, Tecnologia, ESG, O futuro do trabalho, Cultura, Lifelong Learning, Carreira & Talentos e Treinamento & Desenvolvimento. Todos os painéis e palestras se alicerçaram no mote central da edição de 2023: “Repensar o hoje em uma realidade plural”.


Confira alguns dos principais insights compartilhados pelos speakers durante o dia de palestras:


Transparência é o caminho


Na primeira palestra magna do dia, a dupla de palestrantes e autores Dan e Valerie Cockerell (capa) compartilhou experiências de sua vasta trajetória na alta gestão do Walt Disney World. Segundo os responsáveis pelo Cockerell Consulting Group, para enfrentar os atuais – e próximos – desafios do mercado, uma palavra-chave deve guiar as ações empresariais: transparência.


“Quando colaboradores do futuro são entrevistados, a Disney é brutalmente honesta. Quando você é claro sobre cultura e valores, você encontra os talentos certos. Não tentamos mudar as pessoas, somos transparentes sobre o que procuramos”, destacou.


Inspiração materna


Ao ter a palavra, Valerie trouxe ao público dicas e reflexões para líderes desempenharem um melhor papel em suas funções. Para ela, mães podem ser a melhor inspiração para um profissional na liderança trabalhar as suas skills.


“O que é necessário para ser um grande líder não é tão diferente do que é necessário para ser uma boa mãe. Os líderes, assim como elas, devem ser específicos naquilo que pedem. Eles devem orientar, inspecionar, dar feedbacks. As mães dão feedbacks todos os dias e entendem os seus princípios.


Não é só falar, é saber ouvir


Ainda sobre feedbacks, a dupla enfatizou que a ferramenta é extremamente poderosa para melhorar a relação entre líder e liderado, assim como para impulsionar a produtividade. Todavia, a falha cometida por muitos profissionais em posições mais altas na hierarquia empresarial é acreditar que eles não precisam dos feedbacks.


“Líderes e gerentes são ótimos para dar feedback, mas péssimos para ouvi-los. Por ego? Se acham muito inteligentes? Seja qual for a razão, isso é algo perigoso. Ninguém sabe tudo, especialmente em um mercado com tantas mudanças acontecendo”, salientou Dan.


Tecnologia gera eficiência


Na primeira rodada de palestras simultâneas do auditório principal do evento, Paulo Costa, CEO do Cubo Itaú, Gabriela Augusto, CEO e Fundadora da Transcendemos, e Lívia Brandão, Diretora de Venture Capital na Vox Capital, debateram o uso da tecnologia como catalisadora de oportunidades e inovações nas organizações brasileiras.


“As startups estão mais eficientes em seus processos de análise. As IAs facilitaram o trabalho de sumarização. A Inteligência Artificial vem para acelerar a trazer mais conveniência, não para ser uma ameaça”, disse Costa.


Portas abertas para inovar


De acordo com Lívia, o desenvolvimento das IAs abre portas não somente para as empresas criarem processos inovadores, como também gera oportunidades para profissionais se destacarem no mercado. Aprender a utilizá-las expande as chances de recolocação e também de oferecer novas soluções.


“No Brasil, as empresas, em sua maioria, fazem uso de plataformas externas. Isso é um gap que pode gerar oportunidades. Na Vox, pessoas em situação de vulnerabilidade social foram treinadas e criaram uma IA própria que auxilia nos processos educacionais durante as aulas”, exemplificou.


A preocupação existe


Apesar de também reconhecer os pontos positivos das IAs, Gabriela Augusto, por sua vez, fez questão de ressaltar que o momento atual exige reflexões e não romantizações.


“A IA está presente nas coisas e nas relações. O que me preocupa é ainda não termos a dimensão exata do impacto dela. Temos exemplos de IAs benéficas, mas também bastante negativas, como o que ocorre nas redes sociais, que expande conteúdos mentirosos puramente pelo engajamento que essas postagens trazem. Uso como exemplo, para comparar, a radioatividade. Quando foi descoberta, gerou empolgação, foi muito utilizada, acreditavam que ela só fazia bem. Depois que seus efeitos começaram a se manifestar e a preocupação começou a surgir”, elucidou.


Futuro do trabalho


Mais uma atração internacional do CONARH, o francês Denis Pennel, Diretor-Gerente da World Employment Confederation, falou sobre os desafios do RH no futuro do trabalho. Na palestra, ele citou os movimentos que vem ressignificando não apenas o mercado como um todo, mas a atuação do RH, tais como a Great Resignation (Grande Resignação), o Great Reshuffle (Grande Reorganização), o Great Atrittion (Grande Desgaste), a Great Re-Evaluation (Grande Reavaliação) e o Quiet Quitting (Demissão silenciosa).


“Além disso, há o Great Mismatch (Grande Desencontro), movimento de intensificação de buscas por trabalho a distância enquanto as companhias estão revendo suas políticas de atuação remota, o que envolve o retorno ao presencial. Hoje, 77% das companhias apresentam dificuldades para contratar. O que estamos falando é que, globalmente, quase 4 a cada 5 empresas não conseguem encontrar os melhores talentos”, explicou.


Dificuldades do RH


Compartilhando dados de estudos globais com a plateia presente no auditório, Pennel revelou que nenhum outro fator é tão complexo para os gestores de pessoas quanto engajar os profissionais. De acordo com os estudos trazidos, 78% dos RHs têm problemas para conseguir promover engajamento de maneira satisfatória.


Outro ponto destacado – e que pode contribuir para os problemas de engajamento –, está em como a visão dos líderes e dos liderados sobre produtividade apresenta discrepância.


“87% dos empregados dizem se sentir produtivos no trabalho, mas só 12% das empresas têm plena confiança em sua capacidade de produção. Além disso, 71% dos líderes consideram que o principal ponto em relação à produção está na performance, não na produção, mas apenas 54% dos colaboradores concordam com essa afirmação”, compartilhou.


Saúde e bem-estar


Para falar sobre a responsabilidade das companhias com a saúde e o bem-estar das pessoas, Karim Khoury, Diretor da Acordo Treinamento, Samantha França, Diretora Médica da Pronep Life Care, e Felipe Suhre, Mentor de Comunicação, assumiram o palco para compartilhar insights a respeito de como o tema pode ser trabalhado com maior zelo e qualidade dentro do ambiente de trabalho.


Segundo Samantha, antes de qualquer coisa, é crucial que as organizações avaliem quem são os seus líderes. Eles têm um papel determinante para que as marcas tenham ou não um trabalho positivo de bem-estar.


“A mentalidade é algo que faz toda a diferença [na promoção da saúde]. Mas infelizmente ainda é muito comum uma mentalidade atrasada por parte da liderança, pouco aberta, pouco maleável. Há dinossauros tentando ter falas modernas. Mas no dia a dia, no escritório, as coisas não fluem”, alertou.


Não somos robôs


De acordo com Khoury, as empresas podem alavancar o emocional de seus colaboradores trabalhando em iniciativas humanizadas que os ajudem a se conectar com si próprios. Ele recordou que cada indivíduo não pode perder de vista o pensamento de que seu cargo não o resume.


“Uma pessoa só se sente, de fato, motivada [dentro de uma organização] quando ela é escutada. Mais do que visar somente a alta performance no trabalho, é preciso olhar para quem somos como pessoas. Por mais que a gente tenha um propósito, ele pode facilmente se perder por conta dos hábitos, do piloto automático da rotina. O propósito pode se perder sem que percebamos”, comentou.


Comunicação é chave


Já para Felipe Suhre, líderes diferentes são aqueles que utilizam a comunicação a seu favor. Saber se comunicar, assim como trabalhar a escuta ativa, são elementos preciosos no fortalecimento das conexões.


“A comunicação é uma via de mão dupla. É preciso criar conexões. Dou a dica para que se comece a diferenciar o olhar que enxerga do olhar que simplesmente passa pelas pessoas. Mas para se conectar com outras pessoas, primeiro precisamos nos conectar com a gente. A comunicação é uma via de contribuição, uma ferramenta para construir melhores relações”, explicou.



Fonte: RH pra você

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