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Por que tão poucas empresas investem em treinamento no home office?

“Antes de qualquer coisa, reflita sobre a seguinte pergunta: como você convenceria o gestor da sua organização a investir em um treinamento para as pessoas ficarem em casa?”. O questionamento levantado pela especialista em gestão de pessoas e recrutamento e seleção, Célia Lourenço, traz à tona um cenário comum nas organizações brasileiras durante o chamado “home office pandêmico”. Embora parte dos negócios tenha compreendido que o trabalho remoto não representa uma simples mudança no modelo padrão de trabalho, mas sim um processo de transformação que impacta na autonomia, na produtividade, na motivação e, durante este período de pandemia da Covid-19, especialmente na saúde mental, outra parcela das instituições ainda se vê confusa ou até mesmo cética em relação a como o trabalho a distância pode mudar a rotina da empresa. 


Não é à toa, portanto, que segundo uma pesquisa recente conduzida pela Catho, somente 37% das organizações pretendem investir em treinamento para colaboradores em trabalho remoto. 15% dos respondentes ainda não sabem, enquanto o restante não deve adotar nenhum tipo de treinamento voltado à atuação a distância.



O que o home office tem a ver com treinamento?


De acordo com Célia, por mais que nos últimos anos a questão do T&D tenha sido cada vez mais debatida e o mercado esteja recebendo softwares e metodologias avançados e inovadores para fortalecer o processo de treinamento corporativo, na prática o desenvolvimento de profissionais por parte das empresas ainda é conduzido dentro de uma “bolha” na qual as habilidades técnicas (hard skills) se sobressaem sobre as competências emocionais (soft skills).


“Quando nós falamos de treinamento para colaboradores que, principalmente durante o isolamento social, migraram o seu trabalho do escritório para o lar, não estamos necessariamente falando de uma reeducação das tarefas. Para que as atividades do dia a dia se tornem ‘lição de casa’, você precisa de organização e adaptação, e não necessariamente de todo um modelo de treinamento. Então, em qual ponto dessa nova jornada entra o T&D voltado ao home office? Exatamente no desenvolvimento das competências comportamentais.”


Para Patricia Suzuki, diretora de Gente e Gestão da Catho, a transformação cultural deve assegurar a institucionalização do trabalho remoto, processos de capacitação das lideranças e equipes, aquisição das ferramentas de uso diário e claro, habilidades indispensáveis que esses profissionais precisam ter para uma boa execução do trabalho a distância.


"É necessário reforçar que neste ambiente virtual há skills fundamentais para que o fluxo de trabalho opere da melhor forma possível. De modo geral os rituais das empresas se mantém os mesmos, porém adaptados ao formato online, isto ajuda a preservar a cultura organizacional em transformação para o remoto.

Neste cenário, a inteligência emocional e comunicação proativa são ainda mais importante aos olhos dos recrutadores e lideranças", explica a diretora. E quais são essas skills que justificam a importância de investir em um bom programa de treinamento?


Organização e responsabilidade: assim como no formato presencial, atrasar em reuniões e não cumprir prazos ganham uma conotação negativa e de pouco comprometimento com a empresa. Desta forma, se atente aos horários dos calls agendados, coloque lembretes nas listas de tarefas e mantenha o compromisso profissional. Pontualidade, gestão do tempo e priorização de atividades são indispensáveis.


Empatia: se colocar no lugar do outro, nunca foi tão importante. Ouvir e atuar de forma empática, bem como colocar as pessoas em primeiro lugar é fator determinante para fazer o trabalho remoto funcionar de forma efetiva.


Presenteísmo: abrir a câmera nas chamadas de vídeo, participar das reuniões do time de trabalho, contribuir com insights, sugestões e feedbacks. Esses são alguns pontos de destaque dos profissionais engajados remotamente. Por meio da presença virtual, o profissional oferece o máximo do seu dinamismo e protagonismo como profissional.


Inteligência Emocional: autoconhecimento, relacionamento interpessoal e com a equipe são skills extremamente valorizados pelos recrutadores. Candidatos que possuem a capacidade de administrar as próprias emoções e driblar as barreiras da timidez, principalmente devido a necessidade de se posicionar cada vez mais diante de câmera, são os mais desejados para trabalharem remotamente. Dentre os pontos que são observados no ambiente virtual estão o descontrole emocional nas práticas de trabalho diárias e falta de ética nos tratamentos entre as pessoas.


Gestão de conflitos: mediar impasses entre pessoas e times também é desafio no ambiente virtual, desta forma, como o objetivo de manter conexão entre as pessoas e diminuir os impactos negativos que podem surgir à distância, busque momentos de interação. Café virtual, almoço online com o time, bate-papo com colegas. Leve aspectos do dia a dia para o trabalho remoto, além de ajudar a construir um time mais colaborativo, reduz eventuais ruídos.


Colaboração: A capacidade de cocriar sem invalidar as ideias dos demais colegas é mais um skill importante para o trabalho remoto. Profissionais com essa característica mantém acesa a chama da criatividade e inovação em equipe, além de serem super importantes no dia a dia profissional.


Comunicação proativa: Mais do que apenas se comunicar é importante ser proativo nesse processo. Registros "assíncronos" são aqueles em que informamos e apontamos o fluxo de trabalho para que qualquer um no time seja capaz de dar andamento e/ou responda no seu ritmo, isto como consequência ajuda na produtividade de toda a equipe.


Adaptabilidade e resiliência largam na frente em prol do sucesso remoto


No cenário atual, no qual é importante assegurar os pilares fundamentais para a efetividade de implementação do trabalho remoto - cultura, pessoas e ferramentas tecnológicas -, a adaptabilidade (40%) se tornou a competência mais valorizada, seguida da resiliência (20%) e da flexibilidade (12%), na opinião dos recrutadores ouvidos para a 12ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH).


"Durante os processos de recrutamento, as empresas se preocupam em entender a capacidade de adaptação da pessoa ao trabalho remoto e a resiliência do candidato para iniciar uma atividade sem conhecer fisicamente seus gestores e colegas", explica Bruno Barreto, especialista em Recrutamento da Robert Half. E complementa: "Em função do momento atípico, o perfil valorizado é aquele que se adapta rapidamente a uma condição desafiadora, além de ser autogerenciável, capaz de trabalhar com autonomia e de não ter medo de perguntar para garantir que as entregas sejam realizadas com a máxima qualidade possível", diz.


De acordo com os dados da 12ª edição do ICRH, os profissionais empregados estão alinhados com a opinião dos recrutadores. As competências "adaptabilidade" (39%) e "resiliência" (22%) foram as mais apontadas por eles quanto às habilidades nas quais mais se aprimoraram durante a crise da Covid-19.


Entre os profissionais desempregados, a quarentena também tem sido de aperfeiçoamento. Aproximadamente 70% dos entrevistados disseram ter realizado algum tipo de curso ou treinamento nesse período de pandemia. A prioridade, no entanto, foi em especialização técnica na área de atuação (56%), seguida por aperfeiçoamento das habilidades socioemocionais (17%).


"É fundamental que o profissional que está desempregado aproveite para aprimorar suas competências técnicas e comportamentais, pois isso será valorizando no momento da entrevista de emprego", explica Barreto, ao destacar que "aqueles que tiverem usufruído do período desafiador para o aperfeiçoamento profissional levarão vantagem nos processos de seleção".



Fonte: RH pra vc

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